INPACOM — Selos Mecânicos
Voltar ao Hub Técnico
Edição 01 · Nível I

Sistemas de Vedação

Da bomba centrífuga ao selo mecânico — os fundamentos da selagem industrial, do princípio ao comparativo final.

12 min de leituraConteúdo técnico integral · Book INPACOM

O corpo humano é composto por cerca de 80% de água — e ela é igualmente vital nos processos produtivos, na agricultura e na indústria. Mas para levar a água de onde ela está até onde é necessária, quase sempre é preciso bombeá-la.

Bombas hidráulicas são máquinas de fluxo que fornecem energia à água para recalcá-la (elevá-la), convertendo a energia mecânica do rotor a partir de uma fonte motriz. As bombas podem funcionar fora ou dentro da água (externas ou submersas) e, quanto ao princípio, podem ser centrífugas (palhetas/rotor que impulsionam a água) ou volumétricas (um pistão que enche e esvazia um recipiente).

Combustão

Queima de combustível

Elétrica

A mais usada

Eólica

Força dos ventos

Manual

Energia humana

Nas bombas centrífugas, o movimento rotativo do rotor e do eixo do motor exige, entre eles, um sistema para vedar o fluido bombeado. Esse sistema de vedação é o selo mecânico — o foco deste trabalho.

A bomba

Anatomia da bomba centrífuga

As bombas se dividem em três grupos de componentes: estacionários, rotativos e auxiliares. No corte ao lado dá para reconhecer cada região — da sucção à descarga, passando pela câmara de vedação, onde o selo mecânico faz o seu trabalho.

Corte de uma bomba centrífuga
Fig. 1 · Corte de uma bomba centrífuga — Book INPACOM

Estacionários

Carcaças (tampa e intermediária), bocais de sucção e descarga, e a câmara de vedação (caixa de selagem) — a região entre o eixo e a carcaça onde o sistema de vedação é instalado, sob pressão e rotação.

Rotativos

O impulsor centrifuga e direciona o fluido; o eixo transmite o movimento do motor; a luva protege o eixo contra corrosão e cavitação; e a junção/acoplamento liga o eixo do motor ao da bomba.

Auxiliares

Tubulações, válvulas de isolamento, controle e alívio, medidores de temperatura e pressão, indicadores de fluxo, refrigeradores e reservatórios do selo, drenos e defletores.

Impulsor do tipo fechado e do tipo aberto
Fig. 3 · Tipos de impulsores (fechado e aberto) — Book INPACOM
Luva do eixo
Fig. 4 · Luva do eixo — Book INPACOM

Como ela funciona

O propósito da bomba é converter a energia da fonte motriz, primeiro em velocidade (energia cinética) e depois em energia de pressão. Isso acontece em duas partes: o impulsor (giratório) converte a energia do motor em energia cinética, e a voluta ou difusor (estacionária) converte a energia cinética em pressão.

O fluido entra pelo bocal de sucção, chega ao olho do impulsor e, com a rotação, é lançado nas direções radial e tangencial pela força centrífuga. No bocal de descarga, a velocidade é convertida em pressão.

Corte lateral de uma bomba centrífuga indicando o movimento do fluido
Fig. 5 · Movimento do fluido na bomba centrífuga — Book INPACOM
Desempenho

Curva da bomba e instalação

A energia fornecida ao fluido é proporcional à velocidade na periferia do impulsor. As curvas relacionam vazão (Q) e pressão/carga (H) — e mostram, para cada ponto de operação, quanto a bomba é capaz de entregar.

Curva característica de desempenho da bomba
Fig. 6 · Curva característica de desempenho da bomba — Book INPACOM

Instalação

Sucção positiva ou negativa

As bombas podem ser instaladas acima ou abaixo do nível do reservatório. Na sucção positiva, a bomba fica acima do líquido e precisa vencer a coluna de aspiração; na sucção negativa (afogada), o líquido chega por gravidade, o que facilita a escorva e reduz o risco de cavitação.

Instalação com sucção positiva
Fig. 7 · Sucção positiva — Book INPACOM
Instalação com sucção negativa (afogada)
Fig. 8 · Sucção negativa (afogada) — Book INPACOM
Equipamentos

Os tipos de bomba

A escolha da bomba adequada está diretamente ligada à qualidade da água e à vida útil do poço.

Bomba submersa

Tipo ideal e de maior rendimento para poços de qualquer profundidade. O conjunto moto-bomba é instalado dentro do poço, submerso. Funciona silenciosamente e exige pouquíssima manutenção quando bem especificada e corretamente instalada.

Para a escolha correta, é preciso saber

  • Diâmetro do poço
  • Vazão
  • Nível dinâmico (N.D.)
  • Desnível até o reservatório
  • Altura do reservatório
  • Rede: diâmetro, comprimento e material
  • Energia: mono (110/220V) ou trifásica
Bomba submersa
Fig. 9 · Bomba submersa — Book INPACOM
Instalação de uma bomba submersa
Fig. 10 · Instalação da bomba submersa — Book INPACOM
Bomba injetora
Fig. 11 · Bomba injetora — Book INPACOM

Bomba injetora

Centrífuga horizontal convencional com um ejetor (injetor) instalado nas tubulações de sucção e retorno, submerso no poço. Apresenta baixo rendimento e maior custo operacional, pois usa motores de maior potência que uma submersa de igual vazão e pressão.

Bomba centrífuga

O fluido entra axialmente no rotor e tem sua trajetória desviada para a direção radial. Empregada para recalque de pequenas vazões e grandes alturas. Conforme o número de rotores, pode ser de um estágio ou de multiestágios.

Bomba centrífuga acoplada ao motor
Fig. 12 · Bomba centrífuga — Book INPACOM
Bomba de um estágio
Fig. 13 · Bomba de um estágio — Book INPACOM

Um estágio: um único rotor na carcaça.

Bomba de multiestágios
Fig. 14 · Bomba de multiestágios — Book INPACOM

Multiestágios: vários rotores, para alturas manométricas elevadas.

Vocabulário

A terminologia da vedação

Alguns termos aparecem o tempo todo quando se fala de bombas e selagem.

Fluido

Qualquer líquido que se deseja transferir de um local a outro através da bomba.

Vazão

A quantidade de fluido necessária para realizar uma tarefa, por unidade de tempo (m³/h, l/min).

Altura manométrica total

A altura total exigida pelo sistema, que a bomba deve ceder ao fluido para vencê-la.

Cavitação

Fenômeno em bombas com sucção a pressão muito reduzida: bolhas de vapor se formam e implodem, danificando rotor e carcaça.

Pressão de bomba

Capacidade de suportar determinada pressão sem que se verifique aumento de vazamento no conjunto mecânico.

Vedação

Componente que impede a passagem de líquidos, gases e sólidos de um meio para outro, de forma estática ou dinâmica.

Por que vedar importa: um vazamento industrial pode parar uma máquina ou um processo, contaminar o meio ambiente e causar perda de produto — e isso vira prejuízo. É fundamental que o material do vedador seja compatível com o produto, para que não haja reação química (que poderia provocar vazamento).

Diagramas da vedação da bomba: caixa de selagem e sobreposta
Fig. 15 e 16 · Vedação da bomba — Book INPACOM
Elementos

As aplicações dos elementos de vedação

Juntas, anéis, retentores e gaxetas — cada um para um tipo de serviço, estático ou dinâmico.

Diversos elementos de vedação
Fig. 17 · Exemplos de vedadores — Book INPACOM

Juntas de borracha

Partes estáticas (flanges, equipamentos). Podem ser lonadas para reforço.

Anéis O'ring

Estáticos ou dinâmicos, em diversos perfis. O anel padronizado não tem linha de colagem, evitando vazamento. Muito usados em cilindros hidráulicos e pneumáticos de baixa velocidade.

Papelão hidráulico (velumoid)

Partes estáticas, como tampas de caixas de engrenagens.

Juntas metálicas

Para altas pressões e temperaturas. Aço de baixo carbono, alumínio, cobre ou chumbo.

Juntas de teflon

Óleo, ar e água — suportam até 260 °C.

Juntas de amianto

Suportam altas temperaturas e ataques químicos, mas seu uso é restrito por lei (material cancerígeno).

Juntas de cortiça

Vedações estáticas a baixas pressões: tampas de válvulas, cárter, caixas de engrenagens.

Retentores (vedador de lábio)

Membrana elastomérica em forma de lábio + estrutura metálica. Vedam óleo e graxa entre peças com movimento relativo (rotativo ou linear).

Vedação entre carcaças

Vedação estática por junta ou O'ring, entre a tampa e a intermediária.

Tipos de retentores e dimensões De, Di e altura
Fig. 18 · Tipos de retentores e dimensões — Book INPACOM
Vedação dinâmica

Engaxetamento: as gaxetas

Entre o eixo (dinâmico) e a intermediária (estacionária) há uma folga por onde o fluido tende a sair. Para vedá-la há dois caminhos — o engaxetamento e o selo mecânico.

As gaxetas são elementos usados para vedar a passagem de fluido, total ou parcialmente. São fabricadas com algodão, juta, amianto, nylon, teflon, borracha, alumínio, latão e cobre, aglutinados a óleo, sebo, graxa, silicone, grafite, mica ou chumbo — o que as torna autolubrificadas.

Em algumas situações o fluxo não deve ser totalmente vedado: uma passagem mínima de fluido auxilia a lubrificação e a refrigeração entre o eixo e a gaxeta. A esse trabalho dá-se o nome de restringimento — aplicado, por exemplo, em bombas de alta velocidade, onde o calor do atrito é muito elevado.

A caixa de gaxeta mais simples é um cilindro oco com vários anéis de gaxeta, pressionados por uma peça chamada sobreposta (prensa-gaxeta), que os mantém sob pressão conveniente.

Gaxetas alojadas entre eixo, mancal e sobreposta
Fig. 19 · Gaxetas alojadas (eixo, sobreposta, rotor) — Book INPACOM
Gaxeta em forma de tecido trançado
Fig. 21 · Gaxeta trançada em rolo — Book INPACOM
Gaxetas em forma de corda, anéis e aplicações
Fig. 22 e 23 · Gaxetas em corda, anéis e aplicações — Book INPACOM

O limite do engaxetamento: sempre haverá vazamento — o fluido fica em contato constante com a gaxeta, provocando gotejamento. Para fluidos que agridem o meio ambiente, há restrições de uso, sem falar do desperdício.

O protagonista

O selo mecânico

Um sistema de vedação que sela o escape de fluido sob pressão onde o eixo rotativo atravessa o corpo do equipamento — bombas, compressores, misturadores, agitadores.

Corte de um selo mecânico
Fig. 24 · Conjunto rotativo e estacionário — Book INPACOM

O selo é formado por dois subconjuntos: o conjunto rotativo, montado com interferência sob o eixo, e o conjunto estacionário, acoplado à carcaça. Juntos, formam uma vedação dinâmica entre duas faces rígidas, perfeitamente planas e de baixo coeficiente de atrito, pressionadas por uma carga de mola.

Uma fina película de líquido bombeado se forma entre as faces (rotativa e estacionária) para reduzir o atrito. A compressão adequada da mola garante a pressão ideal de contato. É normalmente aplicado onde as condições de operação impedem o uso de retentores ou gaxetas.

Corte 3D do selo mecânico: vedação primária e secundária, faces, mola e filme lubrificante
Estrutura do selo mecânico — vedação primária (filme lubrificante) e secundária — Book INPACOM

Para uma boa performance, observe

  • Dimensões da câmara e do eixo onde o selo é alojado
  • Pressão de trabalho
  • Rotação
  • Temperatura
  • Compatibilidade dos componentes com o fluido bombeado
Seleção

Segmentos e classificação

Para cada aplicação existe um selo ideal. Antes, avalia-se o material do componente que ficará em contato direto com o fluido.

Selo mecânico seriado
Fig. 27 · Selo seriado (alta produção) — Book INPACOM

Seriado (alta produção)

Linha standard, para aplicações gerais em que as condições de operação são leves e padronizadas.

Selo mecânico engenheirado
Fig. 28 · Selo engenheirado (especial) — Book INPACOM

Engenheirado (especial)

Projetado para casos específicos — refinarias, saneamento, indústrias química, alimentícia, farmacêutica, têxtil — dimensionado para condições severas (pressão e temperatura elevadas, resistência química).

Classificação quanto ao balanceamento hidráulico

Como funciona o balanceamento hidráulico
Fig. 29 · Como funciona o balanceamento hidráulico — Book INPACOM

Não balanceado

A força hidráulica do equipamento interfere na pressão de contato das faces. Recomendado para pressão máxima de 12 kgf/cm².

Ex.: bombas de piscina, máquinas de lavar, bombas d'água automotivas e industriais.

Balanceado

A geometria minimiza ou neutraliza a força hidráulica atuante. Recomendado para pressões acima de 12 kgf/cm².

Por que migrar

Vantagens do selo mecânico

  • Baixo coeficiente de atrito entre eixo e elemento de vedação — menos perda de potência
  • Elimina o desgaste prematuro do eixo e/ou da bucha
  • Vazão ou fuga do produto mínima ou imperceptível
  • Permite operar fluidos tóxicos, corrosivos ou inflamáveis com segurança
  • Absorve o jogo e a deflexão normais do eixo rotativo
  • Ajuste automático nos componentes de desgaste
  • Mínima manutenção requerida
  • Trabalha sob grandes velocidades, temperaturas e pressões elevadas
O comparativo

Gaxeta × Selo mecânico

Estudos do A.P.I. (American Petroleum Institute) comprovam a viabilidade do selo mecânico frente ao engaxetamento convencional.

1.300:1

menos perda por vazamento

100:1

menos potência consumida

custo inicial — que se paga em ~1 ano

IndicadorGaxetaSelo mecânico
Vazamento / mês1.800 litros1,35 litros
Vazamento / ano21,6 m³0,0162 m³
Potência0,2 kW/h0,002 kW/h

O custo inicial de um selo é, em média, três vezes o de um engaxetamento — mas em um ano a relação se inverte: o selo dispensa ajustes e paradas frequentes, evita perdas por vazamento e consome menos energia. A economia anual é suficiente para comprar vários selos, sem falar no custo do meio ambiente e do eixo danificado.

Do conceito ao selo certo

Agora que você conhece o princípio, use o seletor para encontrar o selo ideal para a sua aplicação — ou explore o catálogo por linha.